Criacionismo X Evolucionismo – Parte 1

Olá pessoal. Não costumo aparecer aqui muito para escrever. Mas resolvi dar uma variada, e com um assunto bem polemico por sinal (não, infelizmente não falarei de mamilos! #chateado).

            Desde criança vamos para escola dominical (as populares EBD’s) e salinhas no culto a noite onde as “tias” nos ensinam sobre a criação do mundo, Adão e Eva, o grande dilúvio. Dai crescemos aceitando aquilo como a nossa verdade, sem nunca sermos questionados sobre isso. O tempo passa e finalmente chegamos ao ensino médio,  faculdade, e ouvimos falar sobre Charles Darwin, um cientista britânico, naturalista, que viajando por ai, parou numa ilha e resolveu escrever sobre “A Origem das Espécies”, a principal obra de sua vida.

            Dai nos vemos diante de um grande problema: a Bíblia nos ensina que Deus criou o mundo em seis dias e que um grande dilúvio destruiu toda a Terra, e que somente alguns homens e animais sobreviveram a esta grade tempestade; enquanto isso nos é ensinado que o mundo e as espécies que nele hoje existem são frutos de milhões e milhões de anos de evolução e seleção natural, e a atual disposição dos continentes se deve a milhões de anos de deriva continental.

            Você alguma vez já havia parado para pensar o tanto que essas duas teorias são extremamente diferentes, e que é impossível aceitar as duas ao mesmo tempo? Coisas para pensarmos: Pela evolução, o planeta Tem cerca de 4,54 bilhões de anos, e o homem moderno, ou seja, nós surgimos a cerca de 150 mil anos atrás. Segundo a Bíblia, Adão e Eva, e toda a criação, foram feitos a cerca de 10 mil anos atrás. A deriva continental precisaria de bilhões de anos para chegar de Pangeia até a atual disposição dos continentes, tempo este indisponível nos 10 mil de existência que a Bíblia nos conta. Perceberam a grande diferença de tempo? É muito difícil se aceitar essas duas teorias. Não há como você falar que é cristão, que crê nas santas escrituras, e também acreditar no evolucionismo e na seleção natural que atualmente se fala nas nossas instituições de ensino. Dai você pode me perguntar: “mas como assim você não acredita no evolucionismo? Eles têm provas disto!”. Eu te pergunto: “será mesmo?”.

            Pela evolução todos nós surgimos a partir de um ancestral comum, certo? Mas, de onde que veio esse ancestral comum de tudo o que é vivo? Bem, acredita-se que a primeira célula surgiu espontaneamente, devido às características da Terra a bilhões de anos atrás. Mas até mesmo entre os cientistas evolucionistas há varias teorias sobre como ocorreu o surgimento deste primeiro ser vivo, sendo que uma mais complicada que a outra de se entender. Por isso, pra não tornar a leitura tão chata e teórica, tentarei ser um pouco mais sucinto nesta parte.

            Antes de começar a falar sobre a teoria do surgimento do primeiro ser, vamos a alguns conceitos básicos que ajudaram a entender um pouco o que será explanado a frente: todo o ser vivo tem em si uma molécula chamada de DNA. O DNA serve principalmente de molde para a formação das proteínas, que são as moléculas nos seres vivos que controlam praticamente tudo. E entre o DNA e a proteína há um intermediário chamado de RNA, que é a molécula que, de fato, servirá de molde para a confecção das proteínas dos seres vivos. Esse RNA pode servir tanto de molde para fazer as proteínas do nosso corpo, quanto para fazer novamente o DNA. Todo esse processo descrito está na figura abaixo, e o nome que é dado a cada um dos passos. Olhe bem ela, pois será importantíssimo entende-la para compreender os próximos parágrafos.

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Todos esses processos acima (replicação, tradução, transcrição, etc) são feitos por enzimas, que também são proteínas, mas com funções um pouco diferentes das demais proteínas. Pra galera que gosta de química as enzimas funcionam como catalisadores, substancias que aceleram a velocidade com que uma reação ocorre.

            Vamos pensar nas nossas células como uma indústria que fabrica relógios: o DNA seria o modelo que um funcionário projetou para o relógio a ser fabricado, o RNA seria como a matéria-prima para a confecção deste relógio, as enzimas que falei acima seriam as maquinas e funcionários necessários para fazer tais relógios, e os relógios prontos seriam como proteínas.

            Uma das teorias mais aceitas é que o RNA (a matéria-prima do relógio) foi à molécula que possibilitou a existência da vida, e de onde surgiu o primeiro ser veio. Vamos voltar a pensar na fabrica de relógio: a matéria-prima para fazer um relógio de pulso automático é basicamente alumínio e vidro. Mas se você colocar um monte de alumínio e vidro junto nem com bilhões de anos essa matéria se tornara um relógio. Não adianta ter somente matéria-prima, tem que haver os funcionários para criar o modelo e fabricar, e no caso dos seres vivos, é o Deus criador presente na criação!

            Algumas teorias afirmam que RNA tem também a função de enzimas, mas há um entrave: quem garante que esse RNA tem a informação certa, que é o modelo correto, para se criar uma proteína que funcione como deveria? Proteínas são compostas de vários aminoácidos, que são moléculas menores, e há 20 tipos de aminoácidos na constituição dos seres vivos. Ainda pensando no relógio, se você colocar uma peça da pulseira em uma engrenagem do relógio, e vice-versa, com certeza esse relógio parara de funcionar. A mesma coisa acontece com as proteínas: se você trocar um aminoácido por outro certamente ela parara de funcionar, ou terá sua função reduzida. Só pra ficar mais claro: proteínas têm, em média, alguns milhares de aminoácidos. Numa proteína, com cerca de mil aminoácidos, sendo que para cada aminoácido há vinte possibilidades, dificilmente o acaso poderia gerar uma que funcionasse perfeitamente! É você pensa que mudar somente um aminoácido não é nada? Depois pesquise sobre anemia falciforme, uma doença que acomete células sanguíneas. Nessa doença há troca de somente um aminoácido em uma proteína. Pessoas com essa doença, se não diagnosticados assim que nascem, podem até mesmo vir a óbito. Agora, diante disto tudo você acha que o primeiro ser poderia vir a surgir espontaneamente de um monte de matéria e de condições favoráveis?

            Mas bem, admitamos que essa galera toda ai esteja certa, e que o primeiro ser surgiu assim, espontaneamente. Mas como nos chegamos até seres vivos tão complexos: árvores, aves, peixes, e nós? Somos muito mais complexos do que uma bactéria, ser que mais se aproxima do primeiro ser vivo proposto. Aqui se tem mais um monte de polêmica, e uma grande discussão pela frente! Mas infelizmente ficará para a próxima! Estou te aguardando em “Criacionismo X Evolucionismo – Parte 2”

Profissões: Biotecnologia

Fala Galera, tudo joia?! 🙂

Voltando aos nossos textos sobre profissões, trago hoje, um artigo bem bacana do Guilherme, que faz parte da equipe do Podcast deste blog 🙂

Ele vem trazendo um post bem legal sobre sua aréa de formação, a Biotecnologia, uma area nova, mas que promete muito, vale a pena conferir e depois que lê este texto, aproveita também para conferir os demais, bastando clicar aqui.

Agora, com vocês, o Guilherme.

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Biotecnologia: e esse curso existe?

Biotecnologia é uma área relativamente nova no meio acadêmico, e muito mais no mercado de trabalho, prova disso é que quando  falo que faço biotecnologia mais da metade da galera não sabe nem o que é o curso, e os que sabem tem uma idéia muito vaga. Pra dizer a verdade, acho que até a galera que faz o curso não tem idéia do que realmente faz um biotecnólogo, ou biotecnologista (tanto biotecnólogo com biotecnologista está certo, mas eu optei por usar biotecnólogo). Portanto decidi começar a escrever dando uma visão geral do que vem a ser essa ciência.

Sempre que eu falo biotecnologia pra alguém, logo associam da seguinte forma: bio = vida; tecnologia. Então biotecnologia é a tecnologia da vida? Gente, por favor, jamais fale isso pra um biotecnólogo, é bem capaz dele querer te matar,hehehe! Vamos lá então, o que é biotecnologia: basicamente, todo processo que faz a utilização de seres biológicos, ou parte deles, a fim de produzir um produto comercial, pode ser considerado biotecnologia (é agora que quem está lendo pira, kkk). Vou deixar mais fácil pra você entender com um exemplo: sabe o pão que você come? Esse ai, o pão de sal? Pois é, na produção deste pão é usada uma levedura, um fungo chamado Saccharomyces cerevisiae, ou simplesmente fermento biológico. Isso é um exemplo de um processo que utiliza seres vivos, biológicos, para processos industriais. E os exemplos são diversos, tais como: engenharia genética (os famosos transgênicos), produção de fármacos, de quite de diagnósticos de doenças, na indústria cosmética, produção de etanol, industria de alimentos, biorremediação (recuperar ambientes poluídos por meio de microorganismos), e por ai vai.

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Portanto, quando se pensa em biotecnologia hoje, se pensa basicamente em como podemos usar o que temos para melhorar algo que já é feito na indústria, ou criar algo novo. Não que se você fizer biotecnologia você será um pesquisador, um cientista, mas grande parte dos formados nessa área optam por essa carreira, porém, há também  diversas indústrias que tem em seu quadro de funcionários, biotecnólogos. Esta é uma carreira que te oferta diversas oportunidades, justamente por te abrir um leque de possibilidades em diversas indústrias, instituições públicas, universidades e institutos de pesquisas.

Mas agora falando um pouco de mim: porque eu escolhi fazer biotecnologia? Cara não sei kkkkk… E não estou brincando! Na verdade hoje eu sei o porquê vou formar em biotecnologia, mas quando eu entrei, não fazia a menor idéia do que era isso!

Eu sou aluno da primeira turma de biotecnologia da Universidade Federal de Goiás (UFG). Quando prestei vestibular em 2009 não tinha ninguém na UFG que fazia esse curso. No meu terceiro ano do ensino médio eu pensava em fazer vestibular para Farmácia, pois sempre gostei muito de química e biologia, portanto parecia a junção perfeita pra minha área de interesse. Porém, quando a UFG lançou o edital do vestibular para ingressar no ano de 2010/1 havia alguns cursos novos, e um deles era biotecnologia. Portanto resolvi ler um pouco sobre o assunto na internet, falar com meus professores, e acabei decidindo que era isso que queria par mim.

Quando passei no vestibular, e comecei a cursar, me perguntei: cara, o que é que eu estou fazendo aqui? Tinha muito medo de não ser aquilo que eu gostava, apesar de ter bastante biologia e química no curso. Algumas vezes até pensei em largar, mas, graças a Deus, isso não ocorreu. Todos nós da primeira turma de biotecnologia da UFG acabamos sendo “cobaias” da universidade. Eu farei parte da primeira turma da biotecnologia formada no Centro-Oeste! Cara, isso é de mais, ou não! Enfrentamos muitas dificuldades no começo do curso, pois como já disse, até mesmo no meio acadêmico, nas universidades, se tem essa dificuldade de entender o que essa area. Hoje, o curso se encontra bem melhor, com as disciplinas organizadas, e agora sim os professores sabem o que é biotecnologia, kkk! Já se nota um aproveitamento muito maior do curso pelas turmas que entraram após a minha, pois todo um ambiente foi montado para proporcionar isso.

Hoje não me arrendo da escolha que fiz três anos atrás, muito pelo contrario: eu consegui me encontrar dentro do curso. Vou começar a estagiar na área que eu gosto (pois como disse a biotecnologia tem varias áreas, e a minha é a bioinformática, mas não vou falar dela, pois somente isto renderia outro texto), e em uma ótima empresa. Estou feliz com a escolha que fiz, e com certeza tenho muito colegas de faculdade que também estão.

Biotecnologia é um curso multidisciplinar (ou seja, exige conhecimento de diversas áreas), e é um curso pra quem tem um caráter inovador, questionador, que tem sede de saber como que os processos biológicos ocorrem, e como eu posso aplicar isso no dia a dia. Tem que gostar muito, basicamente, de bioquímica, fisiologia e genética. Se você tem esse perfil, seja bem vindo(a) a Biotecnologia!

Segue ai três vídeos produzidos pela TV UFG para um programa chamado “Faz o que?”. Esse programa tem o objetivo justamente de mostrar, de forma bem simples, o que cada curso da UFG faz. O do curso de Biotecnologia foi dividido em três blocos, cada vídeo é curto, no máximo 10 minutos. Vale a pena assistir:

http://www.youtube.com/watch?v=4RFCvUbw-Rk

http://www.youtube.com/watch?v=GEpT1qqzAkQ

http://www.youtube.com/watch?v=yZKDeFWqCxU