A Bíblia, O Menino e o Guarda-Roupa

É sexta feira, 22 horas, neste momento cai uma chuva fina que faz a janela do quarto do menino tremer. Ele é um garoto de uns 14 anos, cabelos pretos, olhos claros e  uma tristeza que parece não ter fim.

Do seu quarto é possível ouvir a discussão, o som da chuva não impede que os gritos de sua mãe e as palavras exaltadas de seu pai cheguem aos seus ouvidos.

 O garoto levanta, fecha a porta do quarto, senta novamente na cama, tampa os ouvidos com as mãos e fecha os olhos. Queria que tudo fosse um sonho, ou melhor, um pesadelo que iria ter fim e nunca mais voltaria para atormentar sua família, algo que bastasse abrir os olhos e tudo simplesmente, desapareceria. Ele faz o teste, abre os olhos, mas a impressão que tem é que a discussão só aumentou. Mesmo com a porta fechada e as mãos tampando os ouvidos é possível ouvir claramente a briga de seus pais, agora, em um tom muito mais sério e ofensivo.

O garoto vai então a mesinha que fica no canto de seu quarto, tira da gaveta uma lanterna e sua Bíblia, depois vai ate o guarda roupa, entra lá dentro e fecha a porta. Tudo fica escuro e silencioso. Já não se houve mais o som da chuva, muito menos da discussão de seus pais. É como se ele estivesse a partir deste momento em um mundo só seu, um universo cheio de histórias fantásticas e maravilhosas. O garoto liga sua lanterna, a aponta para sua Bíblia e começa a folheá-la.

imagem blog oficial

A cada história ele vai se impressionando com a narrativa e os personagens, algumas ele já leu várias vezes, mas mesmo assim, nunca se cansava, sempre estava aprendendo algo novo.

Depois de algum tempo, o garoto sente seus olhos pesarem e o cansaço atingir seu corpo, sem perceber, ele vai cedendo e em poucos minutos começa a dormir dentro do guarda-roupa.

O menino abre os olhos, e como em um passe de mágica, se vê em um lugar totalmente diferente, não está mais no guarda roupa, muito menos em sua casa ou cidade. Na verdade, ele está em um campo, com uma grama bem verdinha e um rio correndo na sua frente. O campo é rodeado por belas e enormes árvores com folhas amarelas.

Um vento começa a surgir no local, as folhas das arvores balançam em resposta ao vento dançando em uma sintonia de beleza e graça, para lá, para cá, para lá, para cá…

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Do som das folhas, agora o garoto começa a ouvir o som de galopes, escuta relinchos, olha para os lados, olha para trás, mas não vê nenhum cavalo…o som aumenta, o garoto olha para o céu e surpreendentemente vê uma carruagem de fogo descendo em sua direção..ele fica assustado, mas não com medo, ao contrario, quer ficar ali observando aquela cena…tanto a carruagem como os cavalos é toda de fogo, mas dentro dela há um homem trajado com uma roupa branca. O homem não fala nada, dá um sorriso amigável e  estende a mão fazendo um sinal para que o garoto suba.

Quando coloca seus pés, curiosamente, o fogo não machuca eles, nem queima suas mãos. O homem continua sorrindo se divertindo com a cara de surpresa do menino.

Ele da um sinal e os cavalos começam a galopar em direção ao céu, o garoto percebe a carruagem sair do chão, o vento bate em seu rosto, o sol aquece sua pele e o que ele sente é uma sensação de liberdade.

Do alto ele consegue visualizar todo o lugar, passa por um jardim lindo, em seguida sobrevoa por cima de uma montanha que tem a forma de uma arca, atravessa um grande mar, depois passa por um rio com águas cristalinas de onde era possível até mesmo ver os peixes.

Agora a carruagem começa a abaixar, os cavalos de fogo estão cavalgando em direção a terra, mas é um lugar diferente de onde passou…com a carruagem já no chão, o homem que a conduz abre espaço para o menino sair e andar…ele está em um vale, mas é um vale sem vida, tudo está deserto e podre, não há um animal, não há uma pessoa, não há uma planta, há apenas ossos secos. vale_ossos_secos_2Foi ai que o garoto se deu conta…ele sabe onde está, já leu esta história na Bíblia antes. Ele olha para o homem da carruagem que retribui com um outro olhar como se o estivesse encorajando a continuar a andar por aquele vale, o vale de ossos secos.

Tudo está silencioso, por alguns minutos não se ouve nada, nem um pequeno barulho sequer…o garoto começa a caminhar sem entender o porque de estar ali.

Do seu lado esquerdo ele ouve algo, vira o rosto para ver o que é e se dá conta de que os ossos estão começando a bater e a se mexer, aos poucos os ossos vão se ligando, ganham tendões, carne e pele. Em pouco tempo, o que era simplesmente um vale de ossos secos, agora está tomado por uma multidão de corpos. De um a um, os corpos começam a respirar, seus olhos são abertos, eles se levantam e o garoto se vê cercado por uma multidão de pessoas.

Todas estão olhando para ele, alegres, como se estivessem felizes por ter ele ali. As pessoas que antes eram apenas ossos secos, agora abre espaço para que o garoto suba na carruagem e continue sua viagem, a sua missão ali já havia acabado.

O senhor da carruagem estende a mão para ajudar o garoto entrar, dá o sinal e a carruagem mais uma vez ganha impulso para subir.

Ao passo que vai saindo do chão, o garoto olha para a multidão que fica para trás…milhares de pessoas olham para ele acenando e sorrindo.

A carruagem pega um impulso mais forte, e sobe para além das nuvens, já não é mais possível ver a terra. É como se a carruagem estive até mesmo acima das estrelas, da lua, e do sol.

Os cavalos começam a cavalgar em direção a uma cidade que simplesmente fica suspensa no ar.

cjesus09Quando a carruagem aterrissa, o garoto desce, pisando pela primeira vez naquele lugar. A cidade tem um brilho muito forte, mas curiosamente não havia sol ou lua, a cidade simplesmente brilha….

Ele começa a andar e vê ali várias pessoas… homens, mulheres, crianças, senhores, senhoras. Apesar da cidade estar cheia de gente, todos viviam em harmonia e solidariedade. Não-se via trânsito, nem pessoas nervosas, apressadas, ou com raiva. Não havia preocupação em seus rostos, nem sinal de tristeza ou problemas.

Ao passo que o menino continua a andar ele percebe que a cidade é limpa, e emitia um cheiro bom, doce e suave pelas ruas. Aliás, nas ruas não havia mendigos, crianças pedintes, ou pessoas desprezadas.

Do nada, as pessoas daquela cidade param de conversar e quase que de forma instantânea, todas começam a andar juntas para uma única direção.

images (2)Ao passo que caminhava junto com aquelas pessoas o garoto viu que a luz que a cidade emitia ia ficando cada vez mais forte e brilhante.

Foi quando finalmente todas as pessoas pararam de andar. Haviam chegado ao centro da cidade. E ali havia um homem sentado em um trono conversando com elas, não fazendo distinção…dava atenção para todas e curiosamente, todas queriam falar com ele. O menino entendeu, não era a cidade que emitia o brilho que iluminava o lugar, a luz vinha daquele homem.

Automaticamente o homem olha para aquele garoto, como se estivesse lendo seus pensamentos e dá um aceno para que ele chegasse mais perto.

 O menino começa a andar em meio as pessoas, ao passo que todas vão abrindo caminho para ele passar. O homem abre os braços para receber o garoto…ele o abraça, sente o calor que era emitido por aquele homem e ai, ele se dá…está abraçando Jesus…

É dia, o pai do menino não se encontra em casa, saiu para trabalhar, a mãe resolve entrar no quarto para ver como o filho está. Devido a briga da noite passada, esqueceu totalmente da criança.

Ela entra no quarto, mas o encontra vazio, seu filho não está ali. Caminha até o banheiro chamando por ele, mas ninguém responde. Resolve voltar ao quarto, a cama está ainda está arrumada e seu filho não é daqueles que organizam a cama, ou seja, ele não dormiu ali.

Ela senta na cama preocupada sem saber o que fazer. Se sente culpada por aquilo, o filho deve ter ouvido a discussão e ficou assustado. Em meio a seus pensamentos, ela ouve um barulho vindo do guarda roupa…se assusta, o que podia ser aquele barulho? De maneira cuidadosa e com medo, ela abre o guarda roupa devagar…

E o que ela vê é a cena mais improvável possível, seu filho dormindo com a bíblia aberta e com um leve sorriso, naquele momento, a única coisa que a mãe conseguiu fazer foi colocar a mão no rosto e chorar…

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Ser gente

É simples… aprendi que os aplausos não querem dizer nada. Aprendi que lisonjas não significam nada. Aprendi que status religioso ou de outra natureza é nulidade, vazio. Aprendi enfim, que se eu quero ser discípulo de Jesus de verdade, tenho que me abster dos grandes públicos, da ostentação.

Cansei deste papo do tipo “somos os caras”. Cansei da pretensão doentia da afirmação de poder de que “estamos em um movimento revolucionário”, chega de triunfalismo!

Meus triunfos verdadeiros não são públicos. Envolvem questões simples. Como por exemplo superar meu egoísmo de não querer ajudar minha esposa na cozinha quando a preguiça tenta me seduzir. Minhas guerras não envolvem “batalhas espirituais imaginárias” de principados e potestades e “atos proféticos” mobilizadores. A coisa é mais simples, ou melhor, mais complexa, envolve compreender Cristo, me alimentar de sua carne e sangue, para vencer a tentação da hipocrisia religiosa.

Não, provavelmente, vocês não me verão envolvido nas grandes mobilizações do mundo gospel, tão pouco, sendo chamado de apóstolo, rabino, bispo ou coisa do gênero. Mas, espero que escutem que sou um bom marido, um bom pai e principalmente um bom amigo. Se ao menos nestas coisa eu conseguir vencer a grande batalha, tenha-me por satisfeito. Entretanto, se um dia eu tiver que falar pra multidões a respeito de Cristo ou de qualquer outra coisa, quem estará lá não será um grande pregador ou acadêmico, será um homem que aprendeu a ser simplesmente gente.

Não quero ser tratado como artefato religioso, como parte do cenário religioso. Jesus me chamou e pronto, isto basta, isto é tudo. Nunca tive dias tão alegres em minha vida, não há um dia que não acordo e encaro os desafios diários em oração e ações de graças.Certamente se minha rotina não for um culto, o culto nunca se integrará a minha rotina.

Minha oração é que Deus continue travando minhas pretensões carnais, que Ele continue freando minhas megalomanias, meu egoísmo e narcisismo, todos estes ídolos que meu coração persiste em fabricar. 

Eu não quero ser nada além daquilo que Deus deseja que eu seja.

Por Igor Miguel – Cristão reformado, teólogo, pedagogo e mestre em letras (língua hebraica) pela FFLCH/USP. Educador social e coordenador pedagógico da Organização Multidisciplinar de Capacitação e Voluntariado (OMCV) em BH-MG, membro da AKET (Associação Kuyper de Estudos Transdisciplinares) e membro da Igreja Esperança em Belo Horizonte – MG.

Carta de uma Jovem Missionária

Eu não sei o que está acontecendo comigo, uma grande emoção tem tomado conta do meu coração, me encontro tremula por dentro, meu ser já não é mais como antes. EU SINTO a VIDA batendo dentro de mim, como nunca. É algo inexplicável, não tem como descrever, apenas quem sente sabe como é.

Eu tenho entendido o que Deus quer de mim, e isso me dá uma imensa vontade de chorar, de gritar, de sair correndo para aquilo que Deus tem falado. Não, não é uma emoção que irá passar, é algo que o próprio Deus tem colocado em meu coração, e só tende a aumentar.

Eu tenho entendido claramente o que significa, para que outros possam viver vale à pena morrer. – Morrerei para minha vida, para o meu egoísmo, para as minhas coisas, para enfim dar vida às outras pessoas, para ver alguém tendo a oportunidade de se tornar FILHO de DEUS, porque eu morri para mim mesma, para que ela pudesse viver. SEM PALAVRAS, não dá para descrever o que tenho sentido…

Meu coração nesse exato momento pulsa por aquelas vidas, algo forte, coração acelera, começo a ficar ofegante, porque estou sentada em uma cadeira, em frente a um computador, digitando esse relato, ENQUANTO EXISTEM PESSOAS MORRENDO SEM CONHECER A JESUS O SALVADOR, O CRISTO.

Não, não é algo bobo, radical… Isso é apenas JESUS! EU não suporto mais olhar para mim, eu não suporto mais olhar para as coisas e deseja-las somente para mim. Hoje o meu sentimento é: Tudo que eu possuir tem que ser dividido, doado, tenho que dar o melhor aos meus irmãos.

Hoje eu não consigo olhar para mim, e não ver essas pessoas, esse lugar. É preciso amar!

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Deus tem me feito sonhar com o AMAZONAS, simplesmente para eu ver a necessidade dos outros, para que o meu egoísmo besta e humano seja destruído, seja anulado, seja quebrado de dentro de mim. Amazonas não é um capricho, pelo contrario, é um chamamento de DEUS, para a minha vida. E eu tenho escutado sua voz falando claramente em meu coração: SAIA DA SUA ZONA DE CONFORTO! VÁ, ESSAS PESSOAS PRECISAM DE VOCÊS.

Como ser CRISTÃ e ser Egoísta? Algo que não combina que não se ajunta e que não tem ligação alguma. Olho a necessidade dessas pessoas, e meu coração começa a doer. Sabe qual é a minha vontade? Chegar nesse lugar e dar tudo de mim. Construir casas, construir escolas, hospitais, construir lugares confortáveis, levar camas, levar comida de qualidade, encanamento, esgoto. Pegar essas crianças no colo mimar todas elas, dar carinho, brincar, voltar à infância. Sentar com as mulheres e ensinar elas a se cuidarem melhor, a se amarem mais, ajuda-las em coisas básicas. Mas o principal eu anseio LEVAR A JESUS, levar VIDA, dar vida para eles. Ensinar como amar ao Senhor, ensinar como orar, ler a Bíblia, como entrar na presença de Deus. Ensinar a eles as coisas básicas do Reino, ensinar eles a caminharem. NOSSA como eu anseio com isso, meu coração bate por essa obra.

NÃO SUPORTO MAIS VIVER AQUI, NÃO SUPORTO MAIS VER A NECESSIDADE DO MEU IRMÃO E CONTINUAR EM UM MUNDO TÃO EGOÍSTA, SUJO, MONÓTONO, SEM VIDA. Chega, CHEGOU a hora de IR, de avançar, de cumprir o meu chamado. CHEGOU À HORA DE DAR A VIDA QUE ME FOI DADA UM DIA. EU QUERO FRUTIFICAR!

Minha oração têm sido: SENHOR me ensina amar aquelas pessoas, me ensina sentir a dor, me ensina a ouvir sua voz; Ensina-me a submissão nesta obra NOBRE. EU QUERO IR!